ABRÓTEA (PHYSIS PHYSIS)

Os indivíduos da espécie Phycis phycis (nome comum: abrótea) pertencem à Ordem dos Gadiformes, onde se inclui a faneca, a pescada dos Açores e o bacalhau. Num grau de parentesco mais próximo (Família Phycidae) fazem-lhe companhia também, a juliana.

Esta espécie pode ultrapassar os 4kg de peso e os 65cm de comprimento. Distribui-se desde os 0 aos 600m, sendo predadores de hábitos noturnos que se alimentam de peixes e crustáceos.

Possui uma carne extremamente delicada e suculenta. É, tradicionalmente, o primeiro peixe que se dá ás crianças. Na culinária tradicional, é mais frequentemente frito sob a forma de postas ou filetes. Muito apreciado nos Açores, é um produto que apresenta um potencial enorme de comercialização quando bem trabalhado. Por isso sugerimos que os exemplares sejam eviscerados e filetados ou transformados em postas assim que forem rececionados.

ALFONSIM (BERYX SPLENDENS)

Pertence à família Berycidae, ocorrendo entre o 25m e os 1300m e em todos os oceanos do Mundo. É importante comercialmente em todos os continentes. Desta forma e a par do Goraz e Imperador, está sob forte vigilância para avaliação constante dos stocks, os quais estão saudáveis. As alterações frequentes e anuais ás cotas são resultado dessas avaliações constantes.

O alfonsim goza de grande reputação entre os Açorianos, particularmente porque se presta a ser grelhado na brasa ou assado com uma carne firme e saborosa e, apesar de relativamente magra é extremamente suculenta se cozinhada com os tempos certos

ANCHOVA (POMATOMUS SALTATOR)

Pertence à família Pomatomidae, sendo predador piscívoro extremamente eficiente que caça tanto solitariamente como em grandes grupos. É essencialmente pelágico, ocorrendo até aos 200m. Nos bancos comporta-se de forma gregária.

Pelo seu comportamento, não é alvo de qualquer pescaria, o que torna as suas capturas relativamente escassas. Contudo, a sua carne é uma verdadeira iguaria, com uma textura que se poderia classificar um misto entre atum e lírio.

Presta-se, sobretudo, a assados no forno, trabalhando-se de forma a não secar a sua carne (que é sensível neste ponto). Em grelhados, é frequente o uso da chapa em detrimento da grelha, uma vez que a opção de o cozinhar ás postas é a mais indicada pela facilidade de “overcooking”.

BICUDA (SPHYRAENA VIRIDENSIS)

A bicuda é um predador ativo, encontrada tanto em alto mar, como em zonas costeiras. Quando juvenil em cardume ou no caso de grandes exemplares a caçar isoladamente, ocorrem junto á costa.

Frequente nas pescarias tanto amadoras como profissionais, é um peixe comum na gastronomia Açoriana. Pobre em gordura com uma carne de boa consistência, presta-se, pelo sabor, a ser frita às postas ou em cozinhados no forno.

Também, pelas suas características e apanha comum, tem sido muito explorada pelos chefs que procuram rentabilizar pratos de peixe com uma culinária mais contemporânea. As suas ovas são de um sabor e dimensões muito apelativas, utilizando-se as mesmas para saladas.

BOCA NEGRA (HELICOLENUS DACTYLOPTERUS DACTYLOPTERUS)

Pertence à família Sebastidae habitando mais frequentemente as cotas entre os 150m a 600m. Alimenta-se de crustáceos, peixes e cefalópodes.

É um peixe muito saboroso, como a maior parte dos “peixes-escorpião” e versátil na culinária Mediterrânica e, consequentemente, na Açoriana. Dadas as cotas a que ocorrem, as suas capturas pela pesca de recreio é menos expressiva, estando mais relacionada com a pesca profissional e como captura acessória do Goraz. Este facto, fá-lo ter um menor peso na gastronomia tradicional, apesar de ser muito apreciado.

Possui espinhos com veneno, pelo que se aconselha cuidado no seu manuseio. Pelas suas características,  permite uma conservação por vários meses, desde que devidamente limpo e acondicionado.

A sua carne tem uma textura consistente mas tenra, com sabor delicado e boa proporção de gordura. Emana um aroma muito agradável quando cozinhado no forno ou na grelha, sendo muito apreciado em alcatras ou caldeiradas pela sua consistência. Presta-se a ser trabalhado em cozinha a vapor.

Uma boa aposta, sobretudo, para quem pretende a proporção de um “peixe por pessoa” para uma refeição.

BODIÃO VERMELHO (LABRUS BERGYLTA)

Esta espécie ocorre dos 0m aos 50m. É uma espécie carnívora que se alimenta sobretudo de pequenos moluscos e crustáceos de acordo com a literatura, apesar de se encontrarem algas no seu conteúdo estomacal com regularidade.

As melhores épocas para consumo são de janeiro a maio. De facto, existe um ditado popular que refere que “um bodião em janeiro vale um carneiro”. São peixes carnudos e suculentos, de carne relativamente magra, pelo que se prestam ao armazenamento em congelação por períodos mais longos que muitas espécies.

Tradicionalmente é mais frequentemente confecionado no forno e é um ingrediente fantástico para sopas de peixe, dado o seu sabor levemente mariscado. A sua carne presta-se a ser frita ás postas.

BONITO (KATSUWONUS PELAMIS)

Pae, sendo também denominado de “gaiado”, pertence à família Scombridápido, atingindo o peso mais frequente de cerca de 8kg em poucos anos. De distribuição cosmopolita por quase todos os mares, representa cerca de 40% do total da captura mundial de atum. Desova várias vezes por ano, o que, aliado a gestão responsável, ajuda a que os seus stocks estejam saudáveis.

Na gastronomia, escusa apresentações, prestando-se a inúmeras preparações de diferentes características, sendo o sushi e algumas receitas mediterrânias as mais emblemáticas. Nos Açores, uma das utilizações mais frequentes é a da indústria conserveira, a qual tem vinda a ser alvo de uma crescente aposta.

 

CAVALA (SCOMBER JAPONICUS)

Espécie pertencente à família Scombridae, ocorrendo entre os 0m e os 300. Forma grandes grupos migratórios, caçando pequenos peixes. A sua reprodução e desenvolvimento são rápidos, atingindo a maturidade sexual por volta dos três anos. Atualmente não existe qualquer preocupação com o estado do stock desta espécie.

Peixe gordo e de sabor extremamente característico, é utilizado na indústria de transformação. Tradicionalmente, a cavala seca é uma das formas de consumo. Atualmente, é comum confecioná-la escalada na brasa, estufada ou no forno. Também é consumida cozida ou frita.

“Peixe Azul”, como é designado comumente, rico em ómega 3 e de preço acessível, faz parte de uma dieta equilibrada (de acordo com as normas da OMS). De facto, a quantidade de ómega 3 é quase que o dobro, em comparação com o salmão. Quando comparada ao atum, apresenta baixo teor em mercúrio, pelo que pode ser consumida com maior frequência.

É um peixe com grande potencial de comercialização no Norte da Europa (onde há sobre pesca) e EUA e Canadá (onde não ocorrem) dadas as suas características únicas.

CHERNE (POLYPRION AMERICANUS)

O cherne é uma peixe da família serranidae, que em adulto vive em profundidades de cerca de 100m a 200m. Alimenta-se de peixe, crustáceos e cefalópodes.

O seu valor comercial é elevado. De características magníficas, de suculência e firmeza, as características da sua carne, que se prestam a qualquer tipo de culinária, permitem explorar um culinária requintada. A sua carne é equilibrada no teor de gordura, sendo um peixe que, bem trabalhado, tem uma longevidade quando fresco ou congelado ótima.

É, por estes motivos, um excelente investimento.

CHICHARRO (TRACHURUS PICTURATUS)

Pertence aos Carangídeos, sendo que ocorre entre os 0m e os 370m. É um predador planctónico de pequenos crustáceos.

É um peixe tradicional da Gastronomia Açoriana, sendo confecionado de múltiplas formas. Devido à sua relativa abundância, tem sido utilizado para elaborar receitas novas com base na cozinha tradicional. Grelhado, no forno, com preparações de vários molhos ou frito, é um excelente peixe para confecionar pratos simples ou elaborados.

Por ser de fácil acondicionamento e com uma captura característica no mediterrâneo, Golfo da Biscaia, mas muito mais frequente nos Açores, torna-se apetecido por mercados que não possuam esta espécie mas que procurem novos produtos.

SAFIO/CONGRO (CONGER CONGER)

É uma e spécie da família Congridae. De forma excepcional pode atingir os 3m de comprimento e pesar cerca de 100kg. Os exemplares mais comuns, de alto valor comercial, pesam de 12 a 25 kg. Isto porque permitem realizar postas de grande qualidade. È um predador de peixes, crustáceos e moluscos de hábito nocturnos.

Quando juvenil é comumente designado de safio e, em adulto, de congro. É nesta altura, a partir de cerca de 5/7 anos que migra para profundidades maiores.

Este peixe, magro, é muito saudável. Apesar de ser muito saboroso e de textura firme, necessita de tempero correto afim de se tirar todo o partido do seu potencial. Na culinária portuguesa e açoriana, é muito utilizado em caldeiradas e arrozes de peixe (ou mistos com marisco).

Sugerimos aos nossos clientes que removam as vísceras assim que possível, afim de preservar toda a integridade do seu sabor.

 

ENXARÉU (PSEUDOCARANX DENTEX)

Enxaréu é um peixe da família dos carangídeos que ocorre entre os 0m e os 70m (dependendo dos autores). É um predador eficaz, podendo caçar em grupo ou isoladamente, o que condiciona a sua captura.

À semelhança do Lírio, a sua carne é muito apreciada na gastronomia local, principalmente de verão, quando as capturas são mais frequentes. Uma fantástica textura e sabor característico, leva a que seja cozinhado no carvão, em assados ou caldeiradas.

A zona abdominal tem um sabor muito apelativo, pelo que se recomenda o cliente a remover as vísceras e raspar a zona da barriga com uma escova suave assim que possível, afim de manter todo o sabor.

GAROUPA (SERRANUS ATRICAUDA)

Esta espécie pertence à família dos serranídeos e à ordem dos perciformes. São carnívoros que vivem em zonas costeiras, onde predam várias espécies de peixes, crustáceos e cefalópodes.

Esta espécie distingue-se, no estado adulto, pela sua coloração: tem 3 a 4 bandas castanhas dispostas na vertical intercaladas com outras mais finas e mais escuras. A garoupa ocorre essencialmente em substratos rochosos e tem uma distribuição vertical que vai desde os primeiros metros de água até aos 90 metros de profundidade e possui a particular característica (á semelhança de outros peixes) de ser hermafrodita simultâneo ou seja possui os dois sexos.

O seu sabor característico provém, como em tantas outras espécies, da alimentação que realiza nestas águas em particular. É um peixe magro com sabor delicado e textura firme.

O seu sabor e textura tornam esta espécie ótima para cozinhados nos forno, na grelha ou mesmo cozido, sendo extremamente apreciada na gastronomia local. Desta forma, pode ser uma excelente aposta tanto para quem pretende apostar numa culinária simples, como elaborada.

GORAZ ( PAGELLUS BOGARAVEO)

O goraz é um peixe da família Sparidae, que ocorre frequentemente entre os 150m e 700m. É omnívoro.

É uma espécie extremamente importante no Sector das pescas na Região Autónoma dos Açores, senão mesmo a mais significativa. Por essa razão, pela redução das cotas e de forma preventiva, o Governo Regional dos Açores decretou um período de defeso entre 15 de Janeiro e 29 de Fevereiro.

O seu pico de comercialização acontece pela altura do natal, onde grandes quantidades são exportadas sobretudo para Espanha, mas também Canadá, EUA e França.

Tem uma carne consistente com um aroma pronunciado, prestando-se, sobretudo, para assados. Se o forno for de lenha, o seu sabor é enaltecido, convertendo-se numa iguaria difícil de igualar.

IMPERADOR (BERYX DECADACTYLUS

É uma espécie que ocorre entre os 100m e os 1000m, dependendo dos autores.  Tal como o goraz e alfonsim, os seus stocks gozam de vigilância para evitar a sobre pesca. Contudo, no atual momento, os stocks são considerados saudáveis.

 Representa uma enorme importância económica nos sector das pescas local, sendo grande parte das capturas destinadas a exportação.

Pelas características da sua carne, e à semelhança do alfonsim, é tradicionalmente utilizado em assados e grelhados, sobretudo em carvão.

LÍRIO (SERIOLA DUMERILI E S. RIVOLIANA)

Ambas as espécies fazem parte da família dos carangídeos. São predadores pelágicos que ocorrem nos Açores sobretudo na época de verão em cardumes, dado ser a época reprodutiva. São habitualmente encontrados entre os 0m e os 100m.

A sua carne é extremamente saborosa de textura macia, porém firme e suculenta. Na nossa gastronomia é um dos peixes mais apreciados e procurados na época e verão, dado ser um peixe de excelência para trabalhar no carvão. Contudo, é também muito apreciado no forno ou na chapa.

É uma fantástica aposta para quem procura um produto versátil e de sabor intenso e característico.

MERO (EPINEPHELUS MARGINATUS)

Os meros vivem, preferencialmente, em fundos rochosos entre os 3 e os 200 metros de profundidade embora possam, ocasionalmente, ser encontrados até 400 metros. Todavia, os adultos são mais comuns entre os 15 e os 100 metros. Não ultrapassam os 40kg de peso.

São predadores ativos, Alimentando-se, sobretudo, de peixes e polvos e alguns crustáceos, como cavacos. Esta alimentação, já de si com características muito próprias na região, confere-lhe um sabor pronunciado e uma textura ímpar.

É extremamente apreciado na Gastronomia Açoriana, tal como por todo o Mediterrâneo. É um peixe que se presta a todo o tipo de receitas culinárias: frito, cozido, assado ou grelhado, sendo ás postas, por inteiro ou em espetadas. É uma excelente aposta para marcar a diferença em qualquer restaurante ou mercado retalhista.

MOREIA-PINTADA (MURAENA HELENA)

A moreia pintada, da família dos Morenídeos, pode atinge em média 1,50m, pesando, nestes casos, cerca de 5,5-6kg. São animais carnívoros, que se alimentam de peixes, lulas, e cefalópodes e, ocasionalmente, necrófagos.

Muito apreciada na gastronomia Regional, a moreia é tradicionalmente convencionada frita ou, em caso de exemplares de maiores dimensões, em caldeirada. Se possível ao cliente, sugere-se que a seque antes de a armazenar ou confecionar, como se pratica em climas secos (ex.: Algarve e Alentejo).

Dado o tipo de alimentação que pratica, o potencial de dano ao sabor da sua carne é elevado. Especialmente porque as melhores partes são, justamente, as do abdómen, as quais são as mais vulneráveis. Deste modo, recomendamos que o produto seja rapidamente eviscerado quando da sua receção pelo cliente, removendo o todos os vestígios de sangue rente à espinha, e que dão um sabor amargo na confeção.

PARGO (PAGRUS PAGRUS)

Pertence á família Sparidae, ocorrendo entre os 50m e os 150m de profundidade. É um predador eficiente e extremamente capaz. O seu corpo musculado e dentes em mandíbulas extremamente fortes, permitem-lhe capturas peixes, lulas, crustáceos e equinodermes com exoesqueleto.

A sua carne é extremamente apreciada, sendo densa e muito apaladada. É um peixe nobre na culinária Mediterrânea e Açoreana. A cabeça é muito apreciada quando cozida. Às postas ou por inteiro, cozido ou assado, faz as delícias ao apreciador de peixe mais exigente

PEIXE-PORCO (BALISTES CAROLINENSIS)

É uma espécie pertencente à família Balistidae. È uma espécie marinha de hábitos diurnos, com uma pele espessa e uma boca extremamente robusta e dentes resistentes. Usa este aparelho bucal para se alimentar, ingerindo, sobretudo, crustáceos, invertebrados e moluscos, não dispensando qualquer outra fonte de comida.

O seu sabor é extraordinário. Debaixo da espessa pele de difícil remoção, encontram-se dois filetes de uma deliciosa carne suculenta, apaladada e firme.

O uso mais frequente é em grelhados na chapa, confecionado com molhos ou frito.

RAIA PINTADA (RAJA CLAVATA )

A raia ocorre em fundos arenosos.

Muito utilizada na nossa gastronomia em caldeiradas, é um peixe de um sabor e textura maravilhosa. Quando fresca, marca a diferença nas receitas onde se apresenta

ROCAZ (SCORPAENA SCROFA)

Espécie carnívora que faz parte dos “peixes-escorpião”. Ocorre normalmente abaixo dos 20m até uma profundidade variável, mas facilmente atinge os 200m. A sua captura raramente é massiva nos Açores, dada a dispersão dos exemplares no fundo e a ausência da pesca de arrasto, o que contribui para a saúde dos stocks.

Como todos os peixes-escorpião, possui espinhos venenosos, pelo que é necessário cuidado no manuseio.

Tradicionalmente é alcunhado de “lagosta” pelas semelhanças na textura e sabor da sua carne. De facto, uma das formas de o confecionar é em salada, para substituir esse crustáceo. Contudo, pela textura firme e sabor pronunciado da sua carne, torna-se numa verdadeira iguaria para cozinhados no forno ou que requeiram cozedura

Sargo (DIPLODUS SARGUS CADENATI)

Em contraste com o Continente Português, em que a espécie que ocorre mais frequentemente é a Diplodus Vulgaris, a mais frequente nas águas Açorianas é a D. sargus Cadenati. Ocorre frequentemente até os 20m-30m de profundidade

O sabor do sargo é muito variável de acordo com a zona que se considera. De norte a Sul de Portugal Continental o sabor varia muito, sendo que a comparação com o sargo das nossas ilhas não é exceção.

O sabor é mariscado por excelência, dada a alimentação a base de moluscos e crustáceos, com uma carne de textura firme e suculenta. De facto, em vez dos percebes de que se alimenta no Continente Português, estes são substituídos pelas cracas e outras espécies de crustáceos nos Açores. Talvez esta seja a razão que diferencia o seu sabor.

A sua zona abdominal é extremamente sensível à presença das vísceras de forma prolongada, mesmo que o peixe esteja fresco. Desta forma, além de sugerirmos que o cliente as remova o mais brevemente possível, salientamos que deverá raspar as “impurezas” de cor negra com uma escova. Desta forma, poderá apreciar este produto da melhor forma.

Tradicionalmente é utilizado para caldos e sopas de peixe, onde brilham. Também é muito utilizado em grelhados no carvão e no forno.

SERRA (SARDA SARDA)

Da família Scombridae, este peixe é um predador piscícola, gregário e pelágico. De crescimento muito rápido, atinge cerca de 50cm com um ano de idade.

É um peixe importante para a economia local, dada a sua qualidade e sabor e expressão nas pescarias e vendas.

Gastronomicamente é um atum, pelo que sugerimos a rápida evisceração e limpeza da cavidade abdominal quando da receção do produto pelo cliente. As barrigas são extremamente apreciadas na gastronomia e esta espécie presta-se a ser trabalhada sob a forma de postas, pelo que a sua qualidade é de extrema importância.

Quando bem trabalhado é um peixe de excelência e uma boa aposta para, de certa forma, substituir em alguns casos as espécies de atuns mais dispendiosas. Sob esta perspetiva, verifica-se o aumento do seu consumo no mercado do Sushi.

VEJA OU PEIXE PAPAGAIO (SPARISOMA CRETENSE)

A Veja (como é denominada nos açores), é um peixe da família Scaridae. Ocorre com maior frequência dos 0m-20m, onde se alimenta de sobretudo de algas e alguns invertebrados.

É um peixe que apresenta características maravilhosas para uma culinária diversificada. De facto, é muito apreciado na gastronomia Açoriana, onde existem inúmeras formas de o confecionar. É um produto muito versátil dada a textura da carne fina mas firme, o seu sabor levemente mariscado e conteúdo médio em gordura. Filetada, frita ás postas, inteira no forno ou em caldos e sopas, apresenta inúmeras e fantásticas utilizações. No passado, era muito utilizada para ser “fazer bacalhau”, sendo seca ao sol após salmoura.

Contudo, é necessário saber trabalhar este peixe. O seu tubo digestivo é longo e volumoso, possuindo inúmeras bactérias para digerir as algas de que alimenta. Desta forma, o potencial de alteração do sabor da carne é elevado, desvirtuando parcialmente o produto. Tal como em muitos outros peixes, sugerimos a remoção das tripas assim que possível. Se for bem trabalhado, é uma das espécies que tem mais potencial entre aquelas que se comercializam nos Açores.

POLVO (OCTOPUS VULGARIS)

É um molusco, cefalópode, invertebrado que vive até 1-2 anos, morrendo após a reprodução. Vivem em fundos rochosos, alimentando-se de pequenos moluscos, crustáceos e peixes.

Dada a sua alimentação característica nos Açores (como lapa-burra, lapa-brava, lapa-mansa ou cavacos e caranguejos), o seu sabor é muito intenso e característico, considerado muito superior aos da mesma espécie de outras proveniências.  Habita dos 0m aos 200m, sendo capturado em armadilhas ou em mergulho de apneia.

Extremamente apreciado nos Açores, tem adquirido maior expressão no mercado gourmet no Continente Português e EUA. Tradicionalmente utilizado em saladas, guisados, arrozes, no forno ou grelhado na brasa, faz as delícias de qualquer apreciador deste produto.

CRACA (MEGABALANUS AZORICUS)

É um crustáceo filtrador que se fixa fortemente ao substrato rochoso. Preferindo zonas de forte rebentação, constrói uma muralha calcária em forma de “vulcão” para o defender das marés e predadores.

A distribuição vertical deste animal é dos 0m aos 10m, sendo mais abundante na zona de entre-marés.

É uma espécie endémica dos açores, o que lhe confere uma unicidade extremamente apelativa e que pode ser trabalhada no marketing final junto do consumidor.

De certa forma semelhante aos percebes em Portugal Continental, a sua captura é extremamente perigosa e cansativa. Em apneia, junto á rebentação e com as oscilações das marés, utiliza-se um escopro e martelo para as remover da rocha. Frequentemente é necessário partir a rocha basáltica extremamente dura, afim de conseguir o exemplar. Tal como a Lapa-Brava e Lapa-Mansa, a captura é dependente das condições atmosféricas, não sendo em qualquer local que esta espécie ocorre.

A sua textura e “sabor a mar” fresco e muito pronunciado, tornam-nas uma espécie emblemática, tendo elevada procura.

A nossa empresa trabalha este produto de modo a que o peso seja o menor possível, com benefícios claros para o cliente. Todos os bicos são consertados, afim de os preparar para o consumidor. Tradicionalmente deixa-se uma certa quantidade de algas para conferir sabor quando da cozedura.

Sugerimos, como nos demais crustáceos, a cozer o produto antes de o congelar.

LAPA-MANSA (PATELLA CANDEI)

Pertence à família Patellidae , sendo um molusco gastrópode. Habita na zona de rebentação, comumente dos 0m aos 10m alimentando-se de algas presentes no substrato rochoso onde habitam. São estas que lhes conferem grande parte do sabor característico desta espécie nesta região.

É também interessante salientar que são mais carnudas e de melhor qualidade na costa Norte das ilhas, dado que os ventos e marés predominantes são do quadrante Norte, estimulando estes animais a desenvolverem-se devido à força da rebentação.

Existe um período de defeso alargado de 1 de Outubro a 30 de Abril.

A sua apanha é realizada apenas em mergulho de apneia na zona de maior rebentação, usando uma “lapeira”. Este utensílio é uma faca modificada para o efeito. Uma a uma, o apanhador pode apanhar até 80kg/dia/apanhador e apenas apanhadores licenciados podem desenvolver esta atividade exaustiva.

De excelente consistência, mas mais tenra que a lapa-brava, é por alguns preferida. Normalmente é apanhada em menor quantidade que esta. Por este facto, são comercializadas juntas, exceto se o cliente solicitar essa distinção nas encomendas.

Presta-se a ser grelhada na chapa. Dadas as suas caraterísticas, são tradicionalmente utilizadas no característico afonso de lapas e arroz de lapas.

Sugerimos aos nossos clientes a não confecionar este produto em lume alto, afim de não tornar a sua carne rija. Se for congelada, é necessário descongelar totalmente o produto, afim da confeção poder ter êxito.

ABALONE / LAPA-BURRA / ORELHA-DO-MAR (HALIOTIS TUBERCULATA COCCINEA)

É um molusco de hábitos noturnos que habita perto da zona de rebentação, preferencialmente por baixo de grandes penedos. Alimenta-se, quando adulto, de macroalgas.

Esse produto tem um sabor reconhecido por chefs de nível mundial. Suculento e tenro, presta-se a uma grande diversidade de receitas. 

LAPA-BRAVA (PATELLA ASPERA)

Pertence à família Patellidae , sendo um molusco gastrópode. Habita na zona de rebentação, comumente dos 0m aos 10m alimentando-se de algas presentes no substrato rochoso onde habitam. São estas que lhes conferem grande parte do sabor característico desta espécie nesta região.

É também interessante salientar que são mais carnudas e de melhor qualidade na costa Norte das ilhas, dado que os ventos e marés predominantes são do quadrante Norte, estimulando estes animais a desenvolverem-se devido à força da rebentação.

Existe um período de defeso alargado de 1 de Outubro a 30 de Abril.

A sua apanha é realizada apenas em mergulho de apneia na zona de maior rebentação, usando uma “lapeira”. Este utensílio é uma faca modificada para o efeito. Uma a uma, o apanhador pode apanhar até 80kg/dia/apanhador e apenas apanhadores licenciados podem desenvolver esta atividade exaustiva.

Este produto de cor amarelo-vivo e sabor intenso é um verdadeiro  ícone da nossa gastronomia com uma elevada procura interna e nos “mercados da saudade” onde atinge preço bastante elevados. Mais consistente que a lapa-mansa e a lapa-burra, é confecionada na chapa ou consumida viva.

A nossa empresa planeia iniciar um estudo em 2016 que visa encontrar novas formas de conservar estes animais vivos antes e durante o transporte, afim de conquistar novos mercados através de ganhos na longevidade do produto.

Sugerimos aos nossos clientes a não confecionar este produto em lume alto, afim de não tornar a sua carne rija. Se for congelada, é necessário descongelar totalmente o produto, afim da confeção poder ter êxito.

OURIÇO-DE-ESPINHOS-CURTOS (SHAERECHINUS GRANULARIS)

São equinodermes, distribuindo-se dos 0m aos 100m de profundidade, apresentando as cores roxa-violeta, branca ou castanha.

A sua comercialização é realizada de início de Maio a finais de Agosto. O peso das gónadas ronda os 17g-25g. De momento, a captura é exclusivamente manual, em mergulho de apneia, sendo um processo moroso, mas amigo do ambiente. O produto é comercializado inteiro.

CAVACO (SCYLLARIDES LATUS)

É um crustáceo de família Scyllaridae. De hábitos noturnos, habita em fendas e buracos durante o dia. Alimenta-se sobretudo de moluscos.

A reprodução ocorre de Verão, ascendendo desde os cerca de 100m máximos onde vivem até os 3m. O período de defeso é, assim, de 1 de Maio a 31 de Agosto.

Possui uma armadura – exosqueleto – resistente que funciona simultaneamente como camuflagem.

È considerado como um arisco de excelência, tendo sido alvo de sobrepesca no Mediterrâneo. Na Região Autónoma dos Açores as suas populações mantém-se saudáveis.

É capturado de duas formas:

- em cofres

- em apneia, frequentemente abaixo dos 20m em grutas ou fendas sinuosas, sendo algumas zonas de captura extremamente perigosas e apenas acessíveis aos mais experientes.

Enquanto empresa, cumprimos os períodos de defeso de forma escrupulosa, contribuindo para que não se repitam os exageros ocorridos o Mediterrâneo.

Gastronomicamente, a sua carne é única em muitos aspetos: suculenta, firma e completamente distinta da Lagosta. É extremamente apreciado na gastronomia local e é um produto de elevado valor na exportação. Normalmente é confecionado na grelha ou cozido.

LAGOSTA (PALINURUS ELEPHAS)

Crustáceo que ocorre entre os 0m e os 70m, cujo período de reprodução ocorre no Outono e Inverno, existindo o seguinte período de defeso:

- entre 1 de Outubro e 31 de dezembro todas as capturas estão proibidas.

- entre 1 de Janeiro e 31 de Março as fêmeas ovadas têm que ser devolvidas ao mar.

Na região é capturada sobretudo com recurso a cofres.

Espécie que dispensa apresentações é, a par do Cavaco, considerado de excelência. Contudo, é mais frágil e sensível no transporte que este último, exigindo mais cuidado em toda a cadeia de comercialização.

1 / 1

Please reload